Ao todo, 17.880 raios atingiram o RS em 24 horas: número considerado alto mesmo no Estado com maior incidência desse fenômeno no Brasil

23/07/2014 | 19h52

Por que o Rio Grande do Sul é atingido por tantos raios Léo Cardoso/Agencia RBS

Em Porto Alegre, as descargas elétricas marcaram a madrugada e o começo de manhã desta quarta-feiraFoto: Léo Cardoso / Agencia RBS

Quem parasse para contar facilmente se perderia nos cálculos: um raio caía a cada três segundos no Rio Grande do Sul na noite de terça-feira, iluminando os céus e assustando muitos com estrondos que seguiram madrugada adentro. Ao longo do dia, não foi diferente. As fortes chuvas que atingem o Estado nos últimos dias vieram acompanhadas de muita trovoada — e os raios chegaram em quantidade acima da média, mesmo nesta região acostumada a recebê-los.

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A previsão para amanhã indica que as tempestades ainda não chegaram ao fim. O dia promete ainda mais chuva em todo o Rio Grande do Sul, com vento intenso e possibilidade de granizo antecedendo um período mais seco e frio.

Durante 10 horas, entre terça e quarta-feira, cerca de 12 mil raios cortaram o céu sobre o Estado: número considerado alto pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mede a incidência do fenômeno no país. Isso significa que, na noite de ontem,20 raios caíram por minuto em solo gaúcho. Parâmetros internacionais consideram muito alta a ocorrência de raios quando a média ultrapassa 10 casos por quilômetro quadrado _ quase a metade do registrado por aqui, onde a densidade em um ano é de 18,38 raios por quilômetro quadrado.

O Inpe calcula que em uma cidade como Porto Alegre haja incidência de raios acima da — já alta — média pelo menos quatro ou cinco vezes ao ano. Há dias em que, levando em conta um período de 24 horas, estima-se que mais de 30 mil raios atinjam o chão: são casos raros, mas que acontecem todo ano, segundo Osmar Pinto Junior, coordenador do grupo responsável por esses estudos. Nos últimos dois dias no Estado, o número de raios que não chegaram a atingir o solo foi ainda maior: 77.147 descargas.

— É um número que chama atenção, principalmente nesta época do ano. Não é tão raro se ter notícia de tantos raios no Rio Grande do Sul, mas um índice como esse só deve ser superado lá por setembro ou outubro — diz Osmar. — Mesmo em termos absolutos, levando em conta a extensão territorial, 17 mil é um número bastante expressivo.

A chuva acompanhada de trovoadas é algo comum por aqui: segundo o Inpe, o Estado é aquele com maior incidência de raios no Brasil. Isso porque estamos na região central do continente, no meio de fenômenos climáticos que vêm de países como Paraguai e do oceano Atlântico. Aqui, sistemas frontais se chocam com ar úmido que desce do Amazonas, e tempestades acabam migrando em direção ao território gaúcho. Por ano, cerca de 50 milhões de raios atingem o território brasileiro — o país que mais registra o acontecimento de raios em todo o mundo.

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